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Relatos de Parto

Relato de Parto Paola e Renato = Marina

Parto natural sem dor ( 27 junho 2014 - 20:56)

Acho que me preparei e me informei bastante durante a gestação. Porém, nada poderia ter me preparado para viver e sentir o dia em que Marina nasceu.... Engravidei em outubro de 2013, após três anos de tentativas sem sucesso, através de inseminação artificial. O tratamento foi rápido, três semanas, indolor, bem mais suave do que imaginava pelos relatos que já tinha ouvido, mas gerou uma ansiedade muito grande em mim, e uma grande expectativa em nós, eu e meu marido.
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Depois de confirmada a gravidez, procurei dar o meu melhor para cada momento, pois me considerei muito, muito abençoada, vivendo algo infinitamente especial. Já tinha bastante claro na minha cabeça que o parto normal era o melhor: trabalhava na área da saúde, e também, por ser das últimas da família e amigas a ter filhos, já tinha tido este debate mil vezes... Mas era engraçado que conhecia pouquíssimas pessoas que tinham de fato tido um parto normal. Inicialmente optei por fazer meu parto com a médica que fez o tratamento. Mas logo percebi que, apesar da grande ansiedade que envolvia minha concepção, não queria um parto soterrado pelos cuidados e intervenções médicas de praxe para as mães que fazem tratamento. Ela era muito carinhosa, mas logo percebi que a chance de um parto normal com ela seria pequena, começando pela limitação das semanas de gestação, só esperaria até 40, além de muitas recomendações de cuidados que achava desnecessários em uma gravidez saudável. Tive então um sangramento e isso me deixou bastante vulnerável. Cheguei a desconfiar novamente da minha possibilidade de ser mãe, e o tipo de parto por um tempo perdeu importância, queria muito esse bebê (não sabia ainda que era umA bebê), fosse como fosse. Porém, me fortaleci novamente antes que esperava, e aos três meses de gravidez voltei a consultar minha ginecologista de antes do tratamento. Apesar da dificuldade de engravidar eu não tinha nenhum problema concreto diagnosticado, e me mantive acreditando no meu corpo, em minha capacidade de parir um bebê e na grande alegria que esta experiência poderia nos (já pensava nesta época que o parto incluía o pai, necessariamente!) proporcionar.  Fiz yoga pré-natal na Namaskar Yoga e encontrei lá uma doula sensacional, procurei ter certeza se minha obstetra era de fato humanizada, como já tinha verificado ao consultá-la antes de engravidar, busquei informação em grupos a favor do parto normal e humanizado, visitei maternidades e uma Casa de Parto. Neste processo, mudei mil vezes meus conceitos sobre parto, maternidade e muitas outras coisas. Foi um período intenso e transformador para mim. Mas, como disse, nada me prepararia para o dia mais feliz de minha vida...

No final da gestação tive algumas intercorrências como sangramentos e infecção urinária, tive que ficar de repouso quase absoluto com cerca de 28 semanas. Tive pedra nos rins, que ocasionou todo este quadro, e uma crise dolorida (nem preciso falar que foi infinitamente pior que o parto, né!?) com 34 semanas. Tenso!! Foi um período delicado em alguns aspectos, mas muito rico à medida que me preparou para funcionar em um ritmo que desconhecia: o ritmo da natureza, do amor, da falta de lógica e da sobra de intuição e força feminina. Um tempo que desconhecia quase por completo... Chegamos então às 38 semanas, completadas e comemoradas, já que não corria mais o risco de um parto prematuro…
 Não sei ao certo quantas horas fiquei em trabalho de parto, senti algumas contrações na noite anterior, tinha voltado às aulas de yoga e mostrei para minha doula, também minha professora de yoga,
Adriana Vieira, e colegas da aula. Não dei muita importância, estavam desritimadas, e eu tinha sentido muitas coisas estranhas no meu corpo no último mês, aquilo não parecia estranho o suficiente para justificar um TP (achava que este processo seria uma coisa estranha demais, longa demais, definida demais, para a qual achava que tinha me preparado igualmente demais rs). Dormi normalmente. E então, no dia seguinte, dia 27 de junho de 2014, ao ir em uma consulta de rotina com minha obstetra as 13h da tarde, ela me diz: “ - Você está com 5 de dilatação!” Fiquei bem confusa, afinal, conforme as aulas com a doula, não era com este tanto de dilatação que eu deveria começar a pensar em ir para maternidade?? E isso era a última coisa que queria naquele momento... Estava radiante de feliz, sem dor nenhuma, com um pesinho na barriga (então isso não é só o pesinho da bebê?!), louca para sair por aí contando para todos esta maravilha, não ficar em um quarto apertadinha, internada…
A obstetra recomendou então que eu andasse e voltasse em duas horas. Ainda perguntei se era capaz dela nascer ainda naquele fim de semana. Ela riu e disse que dificilmente não seria hoje mesmo! Saí completamente tonta, tentando me convencer que estava em TP. Avisei meu marido, e ele ficou bastante perplexo, principalmente com minha reação despreocupada, indo caminhar sozinha no shopping.
Namaskar Yoga - Relato de Parto Paola e Renato = Marina
Na verdade eu estava era descrente, aquele pesinho na barriga não me convencia que era sinal de um evento tão grandioso: Marina a caminho?! Fui em um pequeno shopping ali perto, afinal precisava andar, e aproveitei para comprar um top para colocar na maternidade. Ria sozinha ao imaginar o que as pessoas achariam se soubessem que eu estava ali, circulando, experimentando tops, conversando e em trabalho de parto!! Fui depois caminhando até em casa e o peso aumentou, nada de dor. Terminei de arrumar as malas, marido chegou e fomos para a obstetra novamente às 16h. Agora eram sete centímetros! Foi difícil me convencerem a ir para maternidade em seguida, ainda passei no espaço que fazia yoga, queria ver se minha doula estava lá para avisar pessoalmente que estava a caminho da maternidade, curtir mais um pouco a barriga e o lugar em que me sentia tão tranquila, e onde tinha aprendido tanto sobre mim, minha bebê, e a maneira que nos conheceríamos. Minha doula tinha saído e então deixamos avisado que estávamos indo. A esta altura meu marido achou que eu teria a bebê na escada, que fiz questão de subir alegremente sem ajuda! Cheguei ao hospital 17.30h, e umas 18.30h estava com 8 de dilatação, ainda sem dor, o que me deu um ataque de riso pela surpresa, riso acompanhado pelo marido, pela doula, pela obstetra – essa falta de dor era mesmo esquisita para todos, um presente inusitado para o momento!

Meu riso era também de nervoso... Imaginei muitas coisas, mas um processo completamente indolor estava me parecendo surreal demais. E acho que desconcentrei um pouco por isso... Acabou que não dilatei mais até às 20h, as contrações perderam o ritmo de vez. A médica então sugeriu ocitocina, e depois de tudo que tinha lido tive vontade de me opor, questionar, brigar, colocar em prática pelo menos alguma coisa do que aprendi, pois até agora não tinha usado quase nada, o que era frustrante e maravilhoso ao mesmo tempo. Mas olhei ao redor, aquela cama cinza, chão cinza, parede cinza, chuveiro sem funcionar direito, me fizeram pensar que não seria um lugar onde passaria contente mais muito tempo esperando minha dilatação natural. Deu uma ansiedade e a certeza de que em um próximo parto preciso estar em um lugar mais colorido e aconchegante. Então aceitei. Daí sim, foram menos de cinco minutos para entender o que eram dores de parto! Doeu demais, fiquei desnorteada, achei que não ia aguentar, e ao mesmo tempo não tinha condição nem de pensar em outra coisa que não fosse nela nascendo muito em breve. Nem cheguei a conseguir racionalizar algum pedido de anestesia, cesárea, ou algo parecido. Digo isso, pois este era um medo grande ao longo da gestação, que eu fosse traída pelas minhas decisões na hora da dor. Quis ficar de cócoras em cima da cama e entalei de dor, literalmente não conseguia me mover para lado nenhum. Meu marido e a doula me moveram e fiquei deitada de lado. Uns vinte minutos depois e eu estava já com dilatação completa. Isso foi animador e me fez acreditar que eu provavelmente sobreviveria – sim, a mudança repentina nas contrações e a dor me fizeram ficar bem dramática! Mais vinte minutos e meu marido me fala “olha o cabelinho, olha o cabelinho!”. Não vi mais nada, fiz uma força imensa a cada contração, e poucas depois ela chegou. Eram 20:56 h, alguém me mostrou um relógio. Ela chegou! Tenho vontade de repetir mil vezes isso, ela chegou!

A sensação foi essa nessa hora, que o mundo parou e na minha cabeça só ecoava isso: ela chegou, ela chegou! O primeiro sentimento foi perplexidade! Olhei para baixo, e em um lençol lá no pé da cama estava ela. Senti então uma urgência em encostá-la em meu peito, acolhe-la, aninha-la em um abraço sem fim. O pai cortou o cordão e tudo que me lembro deste momento é um borrão em torno dela linda e forte na cama, deitadinha de lado, coberta de branco, era isso então o vernix!? Muito depois, quando foi pesada e medida, eu soube: nasceu com 3,250kg e 48cm, apgar 9/9. Levei um ponto devido a uma laceração mínima após a sua passagem. A placenta saiu em seguida. Minutos depois de nascida alguém a colocou em meus braços, e ela mamou imediatamente por um bom tempo e em seguida ficou encostada no meu peito (no escuro e sem ar condicionado) por várias horas, coberta por paninhos colocados pela pediatra, que me explicou como aquecê-la. Pingou o colírio com ela no meu peito, procedimento que eu tentara evitar, mas foi um dos únicos pontos que não pude impedir e acabei concordando. Abriu o olhinho e recebeu com tranquilidade a gotinha, piscou, fechou o olhinho. A pediatra foi muito delicada e explicou que era uma fórmula transparente e geladinha para que não ardesse, nem seu olho, nem meu coração. 
A gratidão a tudo e a todos foi tão grande que até hoje quando penso nesse dia fico agradecendo mentalmente por toda generosidade e apoio que tivemos para vivermos este momento. Muitos dos meus desejos foram atendidos, me senti respeitada pela obstetra e pediatra, o hospital não se opôs a como tudo foi conduzido. Meu marido e minha doula foram maravilhosos, sensíveis e parceiros, me senti profundamente amparada por eles, e isso fez toda diferença. Nossa família, mesmo apreensiva com algumas de nossas crenças e desejos para o nascimento da Marina, nos respeitou em todas as nossas decisões. Acima de tudo, agradeço a Deus, e a maneira que minha pequena nasceu, sua saúde, sua força e sua tranquilidade. Desde então ela tem sido uma companheira incrível e desde seu primeiro dia em meu ventre, a melhor mestre que eu poderia ter.
Paola, de camiseta branca na aula de
yoga pré-natal - Namaskar Yoga
Namaskar Yoga - Relato de Parto Paola e Renato = Marina

Chega a menina, e com ela a vida
Renovada em sonhos de ternura,
Amor inexplicável, luz querida,
Infinita bênção de doçura.

Cânticos de paz e de alegria
Embalem em sonhos de felicidade,
E luzes claras sejam companhia,
Sejam o bem, o abrigo, a verdade.

Louvar o presente abençoado,
No encanto dessa vinda benfazeja,
E no sorrido que nos ilumina,

Para que sempre nos esteja ao lado,
E entre nós essa alegria esteja
Eternamente em todos nós, Marina!