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Relatos de Parto

Relatos de Parto
Desde 2009 acompanho partos como Doula, e foram mais de 400 nesses anos. Cada um, uma linda história, repletas de emoções e momentos únicos.
Por aqui vamos postar os relatos de mulheres e casais queridos e especiais, que nos enviaram e compartilharam
suas experiências de parto. Assim, você pode conferir, se inspirar e espalhar também a humanização do parto por onde passar….Confira os partos mais recentes aqui
e nesse link vc confere partos que aconteceram anos lá atrás!
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Relato de Parto Alessandra + Michiel = Rebeca

Vagina birth after 2 cesarians -vba2c ( maio 2016 )

Era dia sete, e já estava vencendo meu prazo de validade. É... eu tinha um prazo que se completaria com 42 semanas de gestação e se assim se desse, a cena se reconstruiria na minha vida, a cesárea de  dez e dois anos atrás.

Há dez anos, na minha primeira gestação, não tinha o conhecimento de hoje, sabia que o parto normal era mais benéfico, mas muito superficialmente, quando cheguei às 38 semanas e meia, era dia vinte e dois de dezembro e, coincidentemente tive uma indicação pra cesárea que, confesso, até hoje se me disseram, não lembro qual foi.
Há dois anos e nove meses, na minha segunda gestação, já tinha mais informações, já conhecia a Adriana (que seria minha futura doula), já havia freqüentado algumas rodas que ela ministrava e tinha total certeza que só dependia da minha vontade para ter o meu tão querido e esperado parto, que hoje, já o chamava de natural.
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Parti pra árdua luta de tentativa de convencimento do meu GO na época, achei que tinha surtido algum efeito, embora ele tenha franzido a testa quando falei “doula”.
Que tola, mal sabia que estava sendo levada a banho Maria até o final da gestação, quando, às 39 semanas e meia, a noticia era: - Não temos dilatação, sua idade gestacional é avançada e o risco de ruptura uterina é muito grande devido à cesárea anterior, que havia sido há 7 anos e meio!!!!


Mesmo D-E-S-C-O-N-S-O-L-A-D-A não tive coragem suficiente de brigar pelo que queria, saí do consultório com os olhos cheios d’água e uma guia de internação na mão para a próxima segunda. Morri de vergonha de contar pra alguém que estava indo pra próxima cesárea, e minhas chances de parir se esvaído pra sempre... pois é... teoricamente seria minha última gestação. Rezei por um final de semana inteiro escondida, pra que entrasse em trabalho de parto, o que também me arrependi um pouco, pois não era pra ser no “meu momento”, mas sim no momento da minha filha. Enfim, às seis da manhã do dia vinte quatro de junho, estava lá e não demorou mais que 20 minutos, num um ambiente hostil e frio, recebi minha segunda princesa nas mãos.


A partir daí, por algum motivo muito subjetivo o qual só vim a descobrir agora, ainda continuei em busca de mais e mais informações, todas, absolutamente todas as mulheres que eu tinha possibilidade tentava instruir de alguma forma, e muitas vezes mostrar pela primeira vez os infinitos benefícios do parto natural.


Acredito que de certa forma Deus me presenteou.


Em dois mil e quinze, acredito que por um sinal divino, mudei estrategicamente de GO, até hoje me arrepia ter tomado essa decisão, porque como já relatei, não havia planos para uma próxima gestação, mas hoje sei que o meu íntimo já sentia os planos que me aguardavam.


A Dra. Izilda foi um amor, me questionou sobre o porquê da mudança, me orientou e me deixou muito entusiasmada. Ainda saí de lá ouvindo assim: - No retorno, aposto que virá grávida. BATATA!


Foi quando em treze de julho de 2015, descobri minha terceira gestação, não planejada, mas surpreendentemente bem vinda.


Diante da novidade que pairava na minha vida naquele momento, ainda dentro do banheiro, após o exame de urina, não havia outro pensamento: EU QUERO PARIR!!!


Sabia que a batalha ainda era dura, tinha que convencer o marido, deixar a mãe confortável, e não porque precisava de algum aval, mas sim porque essas pessoas iam ser essenciais no apoio que eu precisava. Sem contar ainda com todos os narizes torcidos e os deboches que iria enfrentar, mas não me importava, tava completamente disposta.


Acrescentei às leituras tudo aquilo que já tinha me informado tempos atrás, entrei em contato com a Adriana, continuei meu pré-natal com a Dra Izilda até quase o final, quando soube que ela teria uma viagem para fora e por este motivo não me acompanharia no parto. Foi o primeiro baque, e confesso também que tive um deja vu não muito bom. Mas as palavras de força e carinho da Adriana me levantaram, ela dizia que estaria sempre comigo, e que tudo iria dar certo.
Acrescentei às leituras tudo aquilo que já tinha me informado tempos atrás, entrei em contato com a Adriana, continuei meu pré-natal com a Dra Izilda até quase o final, quando soube que ela teria uma viagem para fora e por este motivo não me acompanharia no parto. Foi o primeiro baque, e confesso também que tive um deja vu não muito bom. Mas as palavras de força e carinho da Adriana me levantaram, ela dizia que estaria sempre comigo, e que tudo iria dar certo.
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Continuei.

Já quase com 36 semanas, conheci o Dr. Gilberto, e não tive dúvidas que seria ele que me acompanharia dali pra frente, muito cuidadoso, não se cansou de me orientar com muito carinho sobre todas as possibilidades que poderiam ocorrer. Ele dizia muito sobre aguardar o que a natureza me reservava, e isso me ajudou muito a compreender que dependíamos de um conjunto de equilíbrios, emocional, espiritual e físico. Daí veio o segundo baque, ele iria viajar também, por um curto período, mas suficiente pra me deixar tensa. Não esmoreci, sabia o que desejava e após muito conversar com a Adriana não tinha receio de mais nada. Na última consulta antes dessa viagem, meu colo do útero estava curto, não havia dilatação, mas isso era um progresso o qual nunca havia passado nas gestações anteriores. Viva!


Retornamos às consultas semanais e essa era a mesma situação, implorava por um centímetrozinho de dilatação, mas por duas semanas nada, somente o colo curto e as contrações de treinamento a todo vapor, intensas, mas totalmente irregulares.


Desde minha primeira ultrassom havia uma diferença de uma semana entre a DUM e a data que a ultrassom obtinha. Ou seja, pela DUM completaria quarenta semanas em 08/03/2016 e pela ultra aos 02/03/2016. Isto poderia parecer menos importante aos olhos dos outros, mas pra mim era como se eu tivesse perdendo uma semana, por este motivo que reitero o que disse no início deste relato, eu tinha um prazo de validade. Após as quarenta e duas semanas por conta de todo o histórico gestacional, definitivamente não haveria indução de forma artificial.


Quando completei quarenta semanas (pela ultra) fui indicada pela Dri a conhecer a Ju, a fisioterapeuta e doula que faria umas sessões com exercícios, acumpuntura além de um chazinho maravilhoso. Fiz somente a primeira sessão.


Nesta mesma semana tinha a consulta na sexta-feira como de costume. Fui examinada e a situação era idêntica. Dr. Gilberto me disse que não seria ainda no final de semana, então agendamos cardiotoco para terça-feira seguinte, ultra para quinta e consulta na sexta-feira. Já tinha incorporado que nem mesmo naquela semana Rebeca chegaria. Conversei muito com ela e dizia que se tinha algo que eu havia falado ou pensado que tivesse impedindo sua chegada, que me perdoasse, porque eu já a amava tanto e queria vê-la em meus braços, mas também respeitava o seu momento.


Passei o final de semana caminhando, e me movimentando bastante. Segunda-feira fui trabalhar normalmente, não havia parado inclusive, pela manhã senti uma dorzinha que dava absolutamente pra se confundir com cólica intestinal leve, não quis levar em consideração porque não me imaginava alimentando falsas expectativas.


Saí do trabalho, peguei as meninas na escola e quando entrei em casa senti uma dor que vinha com a contração como nunca tinha sentido, comecei a observar e tive certeza que agora eram contrações com dor, leve, mas estavam chegando, fiquei radiante, acho que por dentro queria explodir de felicidade, mas também sabia que isso poderia ser sim o começo de tudo, ou ainda nada considerável, mantive a calma e liguei pro marido, avisei como estava e pedi pra ele vir pra casa, isso eram 18h20.


Ele chegou por volta das 19h00, estava bem, quando contraía só me calava, mas estava tudo suportavelmente controlado. Fui ao banheiro fazer xixi e percebi que meu tampão tinha saído, até tremi, mesmo que eu quisesse meu sorriso escapava e eu estava doida pra me entregar àquele momento de corpo e alma.


Mandei mensagem pra Adriana, mas ela estava dando aula de yoga, então deixei recado com a Ju, pra que ela me retornasse.


Resolvi algumas coisas que precisava, fomos à farmácia, ao supermercado, e voltamos pra casa. Doía ás vezes, mas era muito gostoso. A Adriana ligou e falei meu estado, ela sabia que ainda tínhamos tempo e pediu que eu a aguardasse em casa, ela viria após terminar seus compromissos.


A dor apertava, baixei um aplicativo no celular pra cronometrar as contrações, me assustava porque variavam de 10/10, de 5/5, 3/3, 7/7, retornavam para 10/10, e seguiam nesse ciclo, mas estava muito bem e feliz. A Dri chegou por volta das 23h00 e conversamos muito, demos risada, ela me distraiu, as dores vinham, mas não sentia tanto enquanto estávamos naquela vibração. Eram quase 02h00, e ela me disse pra descansar, tomar um banho e aguardar o dia seguinte.


Fiz conforme ela orientou e dormi que até sonhei, o que, diga-se de passagem, era um absurdo em minha concepção, foi aí que percebi que nessa hora tudo é muito diferente do qual imaginamos que seria. Acordei por volta das 5h00 com dores que já me incomodavam, permanecer deitada não parecia a melhor opção, fui pro chuveiro e a água quente na lombar era mesmo tudo aquilo que tinha ouvido, quase um milagre na dor. Marido e filhas dormiam, fui pra sala, tomei café da manhã e assistia os jornais, a dor agora não me deixava com o sorriso nos lábios.


Mandei mensagem pra Dri, todos acordaram, marido levou a mais nova pra escola e fiquei com a mais velha que se desdobrava pra me agradar, principalmente enquanto dava umas contorcidas no sofá de casa. A Dri  me respondeu e disse pra eu avisar o Dr. Gilberto sobre a situação, pra sabermos se era o caso de antecipar o horário do cardiotoco. Mandei mensagem pra ele, que imediatamente me pediu para ir ao consultório pra que me examinasse.


Não me imaginava levantando do sofá, a Dri ainda nas mensagens me perguntou se tinha conseguido caminhar, sugestão dela da noite anterior para aquele dia, mas da forma como eu estava não tinha a menor possibilidade disso acontecer. Tanto é que não me imaginava no trajeto casa/ consultório. Fomos. Óbvio que não pude deixar de ter contração dentro do carro e do elevador de casa e do consultório, afinal de contas tinha que ser com emoção.


Entrei direto, me dei conta que estava sem maquiagem e descabelada.
Dr. Gilberto me examinou e para nossa surpresa 6 cm quase 7cm de dilatação, mal podia conter minha felicidade, estava no caminho certo e a tal natureza tava mesmo do meu lado, tudo conspirava a favor. Dali direto para a maternidade, já sabíamos que a sala de parto adequado estava desocupada e pra lá fomos, a Dri também. Chegamos praticamente juntas.


Isso era por volta das 12h00, era um dia bonito de sol e calor, era um dia especial, comemorativo, dia internacional da mulher. A orientação do Dr. Gilberto era muito exercício com bola. E assim fizemos, fizemos outros também, a dor já tinha cessado um pouco, nada comparado à manhã, mas também sob toda aquela sintonia de vibração de conversas, risadas, muito carinho e amor não havia de ser diferente. Cheguei a pensar por um momento, muito rápido, que teria que retornar pra casa, mas nem me deixei levar nesse pensamento e me foquei no que aguardei por tanto tempo.
As horas passavam e nada de ritmo nas contrações, por volta das 15h/16h senti o tal do “PLOFT” fui ao banheiro e percebi que já não era mais sangue e sim um líquido, desconfiei da bolsa, o que mais tarde se confirmou quando Dr. Gilberto me examinou e verificou, dilatação completa. UHULL!!! 10 cm de dilatação, o que mais eu queria? Queria que ela descesse mais, estava tudo ok, mas ainda era necessário sua descida, foi quando começamos uma outra série de exercícios.


Logo em seguida as dores vieram em maior intensidade, Michel cronometrava enquanto a Dri massageava a lombar e meus quadris o que era muito bom pra aliviar a dor. Vinham já de 3/3, 2/2, mas ainda que fossem em menor escala de tempo e maior escala de dor, não sincronizavam num ritmo perfeito.


A partir deste momento sem que eu fizesse muito esforço eu conectei com meu interior de uma forma muito especial, e como jamais havia acontecido antes, era como seu eu tivesse em dois lugares ao mesmo tempo, ali na sala com eles e dento de mim com minha bebê. Aumentou a dor, e quando me perguntavam se era forte eu só dizia que não podia mensurar porque não sabia o que viria pela frente, mas pela experiência dos envolvidos eles já sabiam em qual estágio eu estava. Ouvia de vez em quando a Dri dizer: Agora ta pegando! E tava mesmo. As contrações vinham e a minha sensação era que, pra amenizá-la eu deveria flutuar (RS), até a ponta do dedo do pé em contato com o solo era capaz de me causar um impacto tremendo na dor. Ela ensinou então uma posição em que eu me segurava no pescoço do Michel e relaxava meu corpo. Fizemos algumas vezes e foi bom pra caramba, até a dor aumentar e eu realmente ter a sensação que precisava flutuar mesmo, mas pra isso eu já estava quase derrubando o marido no chão.
Posso dizer que essa parte do trabalho de parto com dores intensas, gigantescas e quase incontroláveis duraram apenas uns quarenta minutos, onde do pescoço do marido, fui pro chuveiro. Escutava a gestante do quarto ao lado berrando de dor, coisa que não fiz em nenhum momento, e me lembro de ter dito, entre uma dor e outra, que queria muito gritar como ela...
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Ficamos um tempo ali, a Dri ainda colocou o espelhinho pra que eu pudesse ver, toquei e senti o cabelinho dela, e isso foi um incentivo enorme pra continuar com mais e mais força.  Era examinada a cada contração, mas ainda assim ela precisava descer um pouco mais, então me sugestionaram que mudasse de local, assim com o movimento da bacia e numa outra posição com ajuda da força da gravidade poderia fluir melhor.


Fui pra cama, primeiro de costas, odiei, depois de lado menos mal, mas ainda não era assim que eu queria ficar. Então fiquei da sentada de frente, sentia que pressionar minha lombar era essencial. Sabia que não tinham muitas chances de eu sair daquela posição até que ela chegasse.


Continuei fazendo força a cada contração, salvo engano vinham em cerca de menos de um minuto, onde mal dava tempo pra me recompor da anterior, mas estava acabando, o pensamento era fixo nessa idéia.


Lembro que nos intervalos, curtíssimos, tomava água e suco de laranja, estava bem cansada já e confesso que deveria ter me preparado fisicamente um pouco melhor. Nessa hora o coro de “Vem Rebeca” já entoava na sala e na minha mente, sabia que estava perto, muito perto.


Comecei a sentir uma queimação, conseguia olhar, bastaram mais duas contrações e foi ali, naquela sala, que, embora fosse dentro de um hospital, era um ambiente completamente agradável, ameno, acolhedor, cheio de energia do bem, em que éramos quatro e nos tornamos cinco, sim.... ela chegou, respirei um pouco e na próxima contração mais um pouco pra que ela estivesse nos meus braços, ás exatas 20h58 e confirmando enfim a trilogia da Dri, (08/03/2016, às 20h58)


Tudo cessou.
A dor, a ânsia, o medo de não conseguir, a falsa idéia de impotência...
E nos meus braços ela permaneceu, ficamos trocando olhares, nos conhecendo pelo toque, pelo cheiro, o instinto. Tive uma pequena laceração, e enquanto isso levava alguns pontinhos. O pediatra fez os primeiros exames com ela ainda no meu colo, ela mamou muito.
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Somente foi levada ao bercinho para pesar e medir, não houve qualquer intervenção que eu não tivesse autorizado até mesmo o banho postergamos para o dia posterior, e isso foi preservado com muito respeito.
Relato de Parto Tais Burato e Alexandre = Victor Henrique

( março 2016 )

Muito obrigada Adriana Vieira Schaap! Não me esqueço o dia em que nos conhecemos e que em pouco tempo de conversa, você me disse que eu já estava pronta para ser mãe! ! Aquele dia, você sem me conhecer, me chamou para a realidade dos meus sentimentos.... evocou o meu poder de Mulher e também me ensinou que eu precisava me conhecer melhor!
Sou eternamente grata ao Universo por ter me proporcionado nosso encontro neste momento tão sublime!!! Ter você conosco este tempo todo para receber nosso Querido Victor Henrique foi mais do que necessário... eu diria que foi e está sendo vital!! Obrigada por tudo, por todo suporte!
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Até o encontro com a nossa maravilhosa Sandra Abreu você nos proporcionou! ! Sandra, você precisa de fato se multiplicar! Seu trabalho é simplesmente sensacional!!! Sem você não sei se estaria na situação que estou... escrevendo para vocês com meu filho nos braços, se alimentando lindamente!!! Muito obrigada por me auxiliar a manter este sonho da amamentação vivo e sólido!! Que a nossa Lua de Leite dure por muito tempo!!! Só para constar, estou acabada de tanto chorar!!! A maternidade mexeu muito comigo.... em todos os sentidos.... mas se tem algo que ela fez de especial, foi o fato de ter me comprovado que todas as escolhas que fiz no passado valeram a pena.... mais do que isso... Foram PERFEITAS! Com a maternidade descobri que tenho meu PAR-PERFEITO: Alexandre, obrigada por todo apoio, cumplicidade e dedicação que você tem tido!
Desde os nossos cursos, as rodas na Namaskar Yoga, as noites mal dormidas no fim da gestação, as dúvidas e receios entre fazer a tal versão externa.... nosso parto!! Mas o fundamental tem sido nestes dias difíceis de adaptação e aprendizado...
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Não sabemos trocar fralda, dar banho, limpar umbigo (enquanto a criança não para de chorar um minuto sequer!)... nem amamentar!! E é aí que vc entra.... para me dar suporte, me passar confiança... me dizer que estamos juntos e que tudo vai dar certo! Então, dedico essa Lua de Leite a você, que tem de fato me ajudado na pega, no posicionamento do bebê, na água para eu beber... em tudo!! Amo você, minha vida!! E bora trocar fraldaaaa!!!
Relato de Parto Vanessa e Josué = Lais

Relato de Parto Natural ( novembro 2016)

Nossa primeira filha nasceu de parto normal, com ocitocina, anestesia, episio, e nenhuma preparação pré parto. Como consequência, meu leite demorou a descer e fiquei por, mais ou menos, duas semanas após o parto, com uma sensação de tristeza e angústia. Quando engravidei novamente, procurei a Namaskar Yoga, e Eu e meu marido ficamos encantados com a Adriana Vieira e com todo o suporte e carinho que tivemos. Nas Rodas de Mães e Pais que frequentamos gratuitamente, percebemos que, mesmo já tendo uma filha, éramos carentes de informação na primeira gravidez. Em resumo, minha segunda filha veio ao mundo de uma forma linda, no tempo dela, o que me proporcionou uma sensação indescritível. Não tenho palavras para agradecer a Dri por nos ensinar, acompanhar e nos guiar no parto humanizado. Somos gratos por esse ato de amor.
Relato de Parto Luciana e Daniel = Thiago

Relato de Parto Normal ( 19 junho 2014)

Desde o início da gravidez, ficava imaginando como seria ter um bebê de parto normal. Procurei informações sobre parto normal com a minha médica Dra. Izilda  e também na internet. 
Logo nos primeiros meses de gestação, comecei a praticar aulas de Ioga pré-natal na Namaskar Yoga, para me preparar para o parto e através das aulas, comecei novas amizades.
Descobri que todas tinham o mesmo propósito: a saúde do bebê e saúde da mãe. Nos primeiros meses sentia um amor imenso pelo meu bebê independente do sexo. Sabia que eu tinha que enfrentar o preconceito das pessoas sobre parto normal humanizado. Inúmeras pessoas diziam que eu era louca e muito corajosa por decidir pelo parto normal humanizado, sem anestesia. Mas também recebi apoio de várias pessoas e incentivos para ter parto normal.
Passaram meses de cuidados e a partir da 36º semana comecei os preparativos para o parto normal pois faltava poucas semanas para o grande dia...
Eu mesma fiz a decoração do quarto do Thiago, desde porta maternidade, lembranças e até itens de decoração. Um dia antes do Nascimento do Thiago, fiz uma longa caminhada até o local onde fazia aulas de artesanato para comprar os últimos detalhes. E no mesmo dia à noite, fui ao consultório da dra. para fazer exames e lá descobri que estava com dilatação de 2 cm. 
Eu não imaginava que seria tão rápido o trabalho de parto. No dia seguinte, acordei de madrugada e senti que estava molhada. Fiquei um pouco assustada afinal não sabia o que era. Imediatamente falei com Dra. Izilda e ela me pediu para prestar atenção em outros sinais como: cólicas, saída do tampão e contrações. Não achei que estava em trabalho de parto. Logo de manhã cedo, liguei para minha Doula, Adriana Vieira, e perguntei se podia fazer uma sessão de massagem pois estava com dores na região lombar (já tinha agendado essa sessão) e já estava em trabalho de parto. 
Fiz a massagem e acupuntura com a Juliana por volta das 9h da manhã, para ritmar as contrações, pois elas não estavam regulares. Logo em seguida, as contrações ficaram ritmadas. A partir daí, comecei a sentir dores das contrações cada vez mais fortes. Fui para a maternidade por volta das 13h e a dra. Izilda e a Adriana também. Lá descobri que já estava com 6 cm de dilatação. Sabia que a partir daquele momento, Thiago podia nascer a qualquer hora. Fomos para um quarto de preparação do parto, pois queria que o nascimento fosse ali. Foram momentos de espera, dores e contrações e muita ansiedade. Quando começaram ficar mais fortes as dores das contrações, comecei a tentar as posições para parir junto com a Doula Adriana e a Dra. Izilda. Tentei posições de cócoras e nada.... não consegui me sentir à vontade. Tivemos que sair do quarto e fomos direto para centro cirúrgico. O mais engraçado foi que sai do quarto andando e vi que o Thiago já estava lá na posição de sair. E como toda mãe de primeira viagem, falei para a Dra. Izilda se não ia nascer enquanto estivesse andando pelo corredor do hospital. A dra. me tranquilizou e disse que isso não iria acontecer... Chegando na sala de parto, teve um momento em que pensei: Puxa e agora o que fazer? A minha Doula Adriana e Dra. Izilda me ajudaram bastante na parte mais complicada do trabalho de parto: a hora da expulsão do bebê. Foram várias contrações e teve um momento que eu achei que não conseguiria ter um parto normal. Foi a hora da covardia, como a Adriana explicou,  mas com o apoio do meu esposo Daniel, Doula Adriana e Dra. Izilda, nasceu o Thiago em gritos de choros, saudável e lindo. Realmente foi um momento muito marcante na minha vida e uma lembrança para toda a eternidade. 
Me senti uma mulher poderosa e realizada. Thiago Nasceu via vaginal de parto natural humanizado em 19/06/2014 às 15:43h.  Agradeço ao meu esposo que esteva presente em todos os momentos da gravidez e até o nascimento. Desde que começamos a pensar em engravidar e até o momento do nascimento, ele me apoiou muito. Ele estava muito apreensivo e conseguiu fazer o que tinha prometido: ficar observando todo trabalho de parto junto comigo e participar no momento especial que era o corte do cordão umbilical. Apesar de sua fobia de sangue, ele mostrou ser capaz de enfrentar qualquer barreira e batalhar por um propósito muito mais que especial: o Nascimento do nosso Filho Thiago.
Sou muito Grata a Dra. Izilda, minha Doula Adriana e ao meu esposo Daniel pela força, carinho e dedicação em todos os momentos. Agora temos uma nova etapa: cuidar do nosso anjinho que veio para 
alegrar nossas vidas e trazer muitas felicidades...
Relato de Parto Paola e Renato = Marina

( 27 junho 2014 - 20:56)

Acho que me preparei e me informei bastante durante a gestação. Porém, nada poderia ter me preparado para viver e sentir o dia em que Marina nasceu.... Engravidei em outubro de 2013, após três anos de tentativas sem sucesso, através de inseminação artificial. O tratamento foi rápido, três semanas, indolor, bem mais suave do que imaginava pelos relatos que já tinha ouvido, mas gerou uma ansiedade muito grande em mim, e uma grande expectativa em nós, eu e meu marido.
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Depois de confirmada a gravidez, procurei dar o meu melhor para cada momento, pois me considerei muito, muito abençoada, vivendo algo infinitamente especial. Já tinha bastante claro na minha cabeça que o parto normal era o melhor: trabalhava na área da saúde, e também, por ser das últimas da família e amigas a ter filhos, já tinha tido este debate mil vezes... Mas era engraçado que conhecia pouquíssimas pessoas que tinham de fato tido um parto normal. Inicialmente optei por fazer meu parto com a médica que fez o tratamento. Mas logo percebi que, apesar da grande ansiedade que envolvia minha concepção, não queria um parto soterrado pelos cuidados e intervenções médicas de praxe para as mães que fazem tratamento. Ela era muito carinhosa, mas logo percebi que a chance de um parto normal com ela seria pequena, começando pela limitação das semanas de gestação, só esperaria até 40, além de muitas recomendações de cuidados que achava desnecessários em uma gravidez saudável. Tive então um sangramento e isso me deixou bastante vulnerável. Cheguei a desconfiar novamente da minha possibilidade de ser mãe, e o tipo de parto por um tempo perdeu importância, queria muito esse bebê (não sabia ainda que era umA bebê), fosse como fosse. Porém, me fortaleci novamente antes que esperava, e aos três meses de gravidez voltei a consultar minha ginecologista de antes do tratamento. Apesar da dificuldade de engravidar eu não tinha nenhum problema concreto diagnosticado, e me mantive acreditando no meu corpo, em minha capacidade de parir um bebê e na grande alegria que esta experiência poderia nos (já pensava nesta época que o parto incluía o pai, necessariamente!) proporcionar.  Fiz yoga pré-natal na Namaskar Yoga e encontrei lá uma doula sensacional, procurei ter certeza se minha obstetra era de fato humanizada, como já tinha verificado ao consultá-la antes de engravidar, busquei informação em grupos a favor do parto normal e humanizado, visitei maternidades e uma Casa de Parto. Neste processo, mudei mil vezes meus conceitos sobre parto, maternidade e muitas outras coisas. Foi um período intenso e transformador para mim. Mas, como disse, nada me prepararia para o dia mais feliz de minha vida...
No final da gestação tive algumas intercorrências como sangramentos e infecção urinária, tive que ficar de repouso quase absoluto com cerca de 28 semanas. Tive pedra nos rins, que ocasionou todo este quadro, e uma crise dolorida (nem preciso falar que foi infinitamente pior que o parto, né!?) com 34 semanas. Tenso!! Foi um período delicado em alguns aspectos, mas muito rico à medida que me preparou para funcionar em um ritmo que desconhecia: o ritmo da natureza, do amor, da falta de lógica e da sobra de intuição e força feminina. Um tempo que desconhecia quase por completo... Chegamos então às 38 semanas, completadas e comemoradas, já que não corria mais o risco de um parto prematuro…
 Não sei ao certo quantas horas fiquei em trabalho de parto, senti algumas contrações na noite anterior, tinha voltado às aulas de yoga e mostrei para minha doula, também minha professora de yoga, Adriana Vieira, e colegas da aula. Não dei muita importância, estavam desritimadas, e eu tinha sentido muitas coisas estranhas no meu corpo no último mês, aquilo não parecia estranho o suficiente para justificar um TP (achava que este processo seria uma coisa estranha demais, longa demais, definida demais, para a qual achava que tinha me preparado igualmente demais rs). Dormi normalmente. E então, no dia seguinte, dia 27 de junho de 2014, ao ir em uma consulta de rotina com minha obstetra as 13h da tarde, ela me diz: “ - Você está com 5 de dilatação!” Fiquei bem confusa, afinal, conforme as aulas com a doula, não era com este tanto de dilatação que eu deveria começar a pensar em ir para maternidade?? E isso era a última coisa que queria naquele momento... Estava radiante de feliz, sem dor nenhuma, com um pesinho na barriga (então isso não é só o pesinho da bebê?!), louca para sair por aí contando para todos esta maravilha, não ficar em um quarto apertadinha, internada… 
A obstetra recomendou então que eu andasse e voltasse em duas horas. Ainda perguntei se era capaz dela nascer ainda naquele fim de semana. Ela riu e disse que dificilmente não seria hoje mesmo! Saí completamente tonta, tentando me convencer que estava em TP. Avisei meu marido, e ele ficou bastante perplexo, principalmente com minha reação despreocupada, indo caminhar sozinha no shopping. Na verdade eu estava era descrente, aquele pesinho na barriga não me convencia que era sinal de um evento tão grandioso: Marina a caminho?! Fui em um pequeno shopping ali perto, afinal precisava andar, e aproveitei para comprar um top para colocar na maternidade. Ria sozinha ao imaginar o que as pessoas achariam se soubessem que eu estava ali, circulando, experimentando tops, conversando e em trabalho de parto!! Fui depois caminhando até em casa e o peso aumentou, nada de dor. Terminei de arrumar as malas, marido chegou e fomos para a obstetra novamente às 16h. Agora eram sete centímetros! Foi difícil me convencerem a ir para maternidade em seguida, ainda passei no espaço que fazia yoga, queria ver se minha doula estava lá para avisar pessoalmente que estava a caminho da maternidade, curtir mais um pouco a barriga e o lugar em que me sentia tão tranquila, e onde tinha aprendido tanto sobre mim, minha bebê, e a maneira que nos conheceríamos. Minha doula tinha saído e então deixamos avisado que estávamos indo. A esta altura meu marido achou que eu teria a bebê na escada, que fiz questão de subir alegremente sem ajuda! Cheguei ao hospital 17.30h, e umas 18.30h estava com 8 de dilatação, ainda sem dor, o que me deu um ataque de riso pela surpresa, riso acompanhado pelo marido, pela doula, pela obstetra – essa falta de dor era mesmo esquisita para todos, um presente inusitado para o momento!
Meu riso era também de nervoso... Imaginei muitas coisas, mas um processo completamente indolor estava me parecendo surreal demais. E acho que desconcentrei um pouco por isso... Acabou que não dilatei mais até às 20h, as contrações perderam o ritmo de vez. A médica então sugeriu ocitocina, e depois de tudo que tinha lido tive vontade de me opor, questionar, brigar, colocar em prática pelo menos alguma coisa do que aprendi, pois até agora não tinha usado quase nada, o que era frustrante e maravilhoso ao mesmo tempo. Mas olhei ao redor, aquela cama cinza, chão cinza, parede cinza, chuveiro sem funcionar direito, me fizeram pensar que não seria um lugar onde passaria contente mais muito tempo esperando minha dilatação natural. Deu uma ansiedade e a certeza de que em um próximo parto preciso estar em um lugar mais colorido e aconchegante. Então aceitei. Daí sim, foram menos de cinco minutos para entender o que eram dores de parto! Doeu demais, fiquei desnorteada, achei que não ia aguentar, e ao mesmo tempo não tinha condição nem de pensar em outra coisa que não fosse nela nascendo muito em breve. Nem cheguei a conseguir racionalizar algum pedido de anestesia, cesárea, ou algo parecido. Digo isso, pois este era um medo grande ao longo da gestação, que eu fosse traída pelas minhas decisões na hora da dor. Quis ficar de cócoras em cima da cama e entalei de dor, literalmente não conseguia me mover para lado nenhum. Meu marido e a doula me moveram e fiquei deitada de lado. Uns vinte minutos depois e eu estava já com dilatação completa. Isso foi animador e me fez acreditar que eu provavelmente sobreviveria – sim, a mudança repentina nas contrações e a dor me fizeram ficar bem dramática! Mais vinte minutos e meu marido me fala “olha o cabelinho, olha o cabelinho!”. Não vi mais nada, fiz uma força imensa a cada contração, e poucas depois ela chegou. Eram 20:56 h, alguém me mostrou um relógio. Ela chegou! Tenho vontade de repetir mil vezes isso, ela chegou!
A sensação foi essa nessa hora, que o mundo parou e na minha cabeça só ecoava isso: ela chegou, ela chegou! O primeiro sentimento foi perplexidade! Olhei para baixo, e em um lençol lá no pé da cama estava ela. Senti então uma urgência em encostá-la em meu peito, acolhe-la, aninha-la em um abraço sem fim. O pai cortou o cordão e tudo que me lembro deste momento é um borrão em torno dela linda e forte na cama, deitadinha de lado, coberta de branco, era isso então o vernix!? Muito depois, quando foi pesada e medida, eu soube: nasceu com 3,250kg e 48cm, apgar 9/9. Levei um ponto devido a uma laceração mínima após a sua passagem. A placenta saiu em seguida. Minutos depois de nascida alguém a colocou em meus braços, e ela mamou imediatamente por um bom tempo e em seguida ficou encostada no meu peito (no escuro e sem ar condicionado) por várias horas, coberta por paninhos colocados pela pediatra, que me explicou como aquecê-la. Pingou o colírio com ela no meu peito, procedimento que eu tentara evitar, mas foi um dos únicos pontos que não pude impedir e acabei concordando. Abriu o olhinho e recebeu com tranquilidade a gotinha, piscou, fechou o olhinho. A pediatra foi muito delicada e explicou que era uma fórmula transparente e geladinha para que não ardesse, nem seu olho, nem meu coração. 
A gratidão a tudo e a todos foi tão grande que até hoje quando penso nesse dia fico agradecendo mentalmente por toda generosidade e apoio que tivemos para vivermos este momento. Muitos dos meus desejos foram atendidos, me senti respeitada pela obstetra e pediatra, o hospital não se opôs a como tudo foi conduzido. Meu marido e minha doula foram maravilhosos, sensíveis e parceiros, me senti profundamente amparada por eles, e isso fez toda diferença. Nossa família, mesmo apreensiva com algumas de nossas crenças e desejos para o nascimento da Marina, nos respeitou em todas as nossas decisões. Acima de tudo, agradeço a Deus, e a maneira que minha pequena nasceu, sua saúde, sua força e sua tranquilidade. Desde então ela tem sido uma companheira incrível e desde seu primeiro dia em meu ventre, a melhor mestre que eu poderia ter.
Paola, de camiseta branca na aula de yoga pré-natal - Namaskar Yoga
Relato de Parto Patrícia e Allessandro = Arthur

Relato de Parto Domiciliar ( 11 abril 2014)

(esse relato de parto consta no livro Parto Ativo de Janet Balaskas)

No dia 11 de abril de 2014, tive o meu segundo filho, o Arthur, em um parto natural domiciliar. Poucos dias antes da Semana Santa, vivi a experiência mais sagrada de todas. O milagre da vida aconteceu dentro da minha casa. Foi um lindo trabalho de parto, relativamente curto: em torno de 5 horas de duração. Ao mesmo tempo, foi algo extremamente intenso e poderoso. No relato abaixo, tento cumprir da melhor forma a difícil missão de traduzir em palavras uma experiência que, de tão forte e tão única, é quase indescritível.
Eu estava com 38 semanas e 4 dias de gravidez. Acordei às 6:30 com cólicas leves. Tentei voltar a dormir, sem sucesso. Às 7:15 começaram as contrações. Sem ritmo, espaçadas, totalmente suportáveis. O Alessandro, meu marido, saiu para trabalhar, ficou de voltar mais tarde. 
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Mandei mensagem para a minha mãe e para as integrantes da equipe do parto. Me recomendaram que eu fosse para o chuveiro, para ver se as contrações evoluiriam ou não. Fiz isso. Ao sair, fui me enxugar e percebi algo gelatinoso com frisos de sangue… Era o tampão mucoso.
Depois do banho, as contrações se intensificaram, e começaram a pegar ritmo. Avisei as pessoas da família e da equipe. Fui até o oratório, na sala, e fiz uma oração, pedindo proteção para mim e para o bebê, para dar tudo certo.
Minha mãe, que mora bem perto, foi a primeira a aparecer, umas 8:30. Trouxe café da manhã. O dia estava lindo, de sol. A claridade iluminava a sala de casa. Na seqüência, umas 9:30, a equipe chegou. Primeiro a Adriana Vieira, doula, depois a obstetriz, e a enfermeira obstetra, com todo o aparato de um parto domiciliar. Até então, estava tudo bem tranquilo. Contrações suportáveis, clima leve. Ficamos todas conversando, enquanto eu quicava na bola de pilates. O Bernardo, meu primeiro filho, de 2 anos, acordou e se uniu a nós, na sala.
Em um dado momento, pedi que a enfermeira avaliasse a minha dilatação. Ela fez o toque, e qual foi a nossa surpresa ao constatar que eu já tinha de 5 cm para 6 cm de dilatação! Fiquei radiante. Pensei: “Sim, é hoje que o Arthur vai nascer!” Avisei o meu marido e a Talitha, fotógrafa, para que também viessem para cá. 
Em torno de 11:00, a Talitha começou a fotografar e o meu marido passou a me massagear, se revezando com a doula. Fui mudando de posição, ouvindo as necessidades do meu corpo, seguindo os meus instintos. Agachei, fiquei de quatro, sentei no banquinho de cócoras. 
Aos poucos, o ambiente leve e descontraído foi se tornando mais sério e silencioso. Percebi uma movimentação da equipe, separando materiais e acessórios. As contrações foram se intensificando. Fui para o banheiro, para usar a água quente do chuveiro e da banheira, a fim de aliviar a dor na lombar. 
As coisas começaram a ficar menos nítidas. Além das massagens, lembro que a doula falava pra eu respirar, vocalizar, soltar o maxilar durante as contrações. Meu corpo parecia ter assumido vida própria. Eu mudava de posição no banheiro, sem pensar. Me agachava, me levantava, meus olhos se fechavam. Eu não pensava, somente sentia. Como em um transe...
Depois de um tempo, falei para a enfermeira que queria outro toque. Foi aí que descobrimos que a dilatação havia passado dos 9 cm! Hora de ir para a piscina. Era na água que eu havia imaginado tantas vezes o meu bebê nascendo. 
Entrei na piscina e as contrações continuaram. Então me falaram para tentar sentir a cabeça do bebê, colocando o dedo, para ver se ele já estava perto. Fiz isso e senti que ele estava a uns 2 cm da saída, ainda dentro da bolsa, que permanecia intacta. "Falta pouco!", pensei. 
Até que comecei a sentir uma enorme vontade de fazer força. “É agora!” 
Na primeira força, a bolsa se rompeu. Percebi o líquido amniótico saindo. Na segunda força, senti o bebê vindo. A cabeça parou na saída, eu continuei inspirando, expirando e vocalizando, e levei minhas mãos até lá embaixo.
Com as duas mãos, senti o Arthur coroando. Fiquei tão empolgada que não conseguia parar… Doía, ardia, mas continuei. Inspirei fundo e, na expiração, tentava ajudar a cabeça do bebê a sair. 
Ninguém me incomodou ou me disse como agir. Éramos só eu, o meu corpo, os meus instintos e o bebê. Até que saiu a cabeça, e o corpinho veio deslizando na seqüência, como um peixinho. Senti cada centímetro dele saindo de dentro de mim. Sensação incrível.
Tirei o meu filho de dentro da água, com as minhas mãos. Ele tinha, realmente, uma circular de cordão no pescoço. Pincei o cordão do seu pescoço e coloquei o meu bebê em cima de mim. Pronto. Foi o momento mais precioso do parto, que só durou uns poucos segundos, mas que vai ficar impresso em minha mente para sempre. Sentimentos como alívio, alegria, realização, plenitude, amor – todos juntos e misturados – me inundaram. Ouvi alguém anunciar o horário do nascimento: 13:44.
Eu não conseguia parar de olhar para o meu bebê: esbranquiçado, molhado, quente, perfeito. E tranquilo, tão tranquilo… Tentei amamentar o Arthur, mas ele só me cheirou e me deu umas lambidinhas, com a sua linguinha minúscula. Eu o cobri com uns paninhos. Só tirei os meus olhos dele quando ouvi meu marido chorando ao lado. 
O Alessandro apertou minha mão esquerda, enquanto com a direita eu segurava nosso filho caçula. “Nós conseguimos, nós conseguimos! Amo vocês, meus meninos!”
Ninguém nos interrompeu. A equipe apenas observou aquele momento sagrado, como deve ser. Aliás, sei que estavam todas ali, mas ao mesmo tempo me eram invisíveis. O momento era só nosso: pai, mãe e filho. Foi tudo como eu havia desejado e visualizado em minha cabeça, infinitas vezes. Não, mentira. Foi muito melhor.
Obs.: Arthur nasceu com 2,950 kg, 50 cm de comprimento, 34 cm de perímetro cefálico. Forte e saudável, apgar 10/10.
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