Não há uma data comprovadamente correta do nascimento do Yoga, mas o que se é que a civilização dravídica, que vivia no Vale do Hindu (atualmente Paquistão), já conhecia a filosofia do Yoga, entre 3.500 a 1.500 a.C. Em escavações no vale do Hindu, descobriu-se que o Yoga era praticado de alguma forma,

Foi nesse Período que nasceu a divisão social do sistema de castas, introduzido pelos povos árias (vindos do sul da Rússia), que era composto principalmente de agricultores e pastores.
Entre os anos de 1500 e 800 a.C. a base da cultura hindu foi a religião Védica, apresentando os Vedas (que significa Sabedoria, Conhecimento) e era transmitida oralmente. Os hindus acreditavam que os Vedas teriam sido ditado por Brahma (Deus Supremo, O Criador). A partir daí criou-se o Período chamado de bramânico, onde houve uma evolução da cultura Védica, com mais rituais e um aprofundamento nos textos.
Os hindus conservavam os textos sagrados do bramanismo (os Vedas e Bramanas) e os Upanishads (que são 108), que introduziram o “voltar pra dentro de si mesmo”.
Após essa época surge o Período Épico, e o que chamamos dos texto acadêmicos (matemática, astronomia) além dos grandes épicos, como o Mahabarata (que é o texto mais extenso da literatura humana), que contém o Bhavagad Gita (O Canto Celestial), onde Krishna descreve para Arjuna (seu discípulo) o sistema do Yoga. E ainda o Ramayana (O veículo da virtude), que são as narrativas sobre a vida de Rama, uma história baseada nos conceitos de lealdade, amizade e devoção. Essa época tem como característica o desaparecimento dos antigos deuses védicos, reduzindo-os a principalmente:
Brahma, O Criador; Vishnu, o conservador; e Shiva, o destruidor. Essa é a trindade indiana, ou o “trimurti”.

Entre os anos de 800 e 100 a.C o sentimento de renúncia (samnyasa) e de dharma (dever social e sua meta espiritual nessa encarnação) se fortalece e formam a base para o desenvolvimento do Yoga, que ocorre lado a lado com a do Samkhya (período entre 100 a.C e 600 d.C).
Ambos têm ideias na tradição bramânica védica e pretendem fornecer aos homens uma maneira de minimizar os sofrimentos.
O Sankhya (significa enumeração) oferece uma exposição teórica, enumerando literalmente, os elementos da natureza humana, e descrevendo os benefícios quando esses são libertados (moksa).
O Yoga, por sua vez, trata da dinâmica de livrar-se dessas ataduras e mostra as técnicas práticas para se obter essa libertação ou a integração (kaivalya). Surgia como uma necessidade do homem de transcender sua condição humana, onde inclui-se o sofrimento, frustrações e doenças.
Surge nessa mesma época as religiões conhecidas como “yóguicas”, que são o Budismo e Jainismo.

Tanto o Budismo indiano quanto o Jainismo defendem o ascetismo e a prática de diversas técnicas de meditação, ou o “controle da mente”, para a libertação (moksa ou nirvana) da roda de renascimentos condicionados (samsara), aos quais as consciências individuais estão presas.
Como vemos, há diversas semelhanças entre algumas dessas religiões. Mas foi o Yoga, com sua lógica reencarnacionista, que começou a se tornar um alicerce ao Hinduísmo ( que não é uma religião, e sim uma cultura, que inclui crenças e hábitos) e estudiosos do Yoga.
2- Os oito passos do Sistema Clássico do Yoga - “Ashtanga Yoga”, Patanjali
Por volta do século II a.C. Maharishi Patanjali compilou os Sutras ( que significa “fios condutores”), ou seja, os Yoga Sutras, conhecidos até hoje por todos apreciadores e estudiosos do Yoga. Através do Sistema Clássico do Yoga, codificado por Patanjali, conhecido como “Ashtanga Yoga” (Oito passos do Yoga) ele nos fornece o caminho que a seguir para alcançar o Samadhi, a experiência integral para que possamos chegar à União conosco mesmos. Ele divide esses oito passos da seguinte maneira:
Bem-estar social: YAMAS E NYAMAS:
As disciplinas para com o mundo externo (conceitos éticos):
1- YAMAS:
1- Ahimsa = não violência, não matar;
2- Satya = a verdade, não mentir;
3- Asteya = não roubar, não se apropriar indevidamente;
4- Brahmacharya = controle dos estímulos sexuais;
5- Apariguraha = não ganância, o desapego, ausência de cobiça.
As disciplinas para conosco mesmos (conceitos éticos) :
2- NYAMAS:
1- Sauca = purificação: física, sutil, mental; pureza;
2- Santosha = contentamento;
3- Tapas = austeridade, prática, autodisciplina;
4- Swadhyaya = estudo dos textos espirituais; auto-estudo;
5- Ishvara Pranidhana = auto-entrega; devoção,
Bem-estar físico:
3- ÁSANAS (posturas)
4- PRANAYAMAS (controle do prana vital)
5- PRATHYAHARA ( controle dos sentidos, instintos)
Bem-estar Mental:
6- DHARANA (concentração)
7- DHYANA ( meditação)
8- SAMADHY ( estado de União com o Todo)
Praticar Yoga é praticar todos esses passos no dia-a-dia e mesmo na prática dos Ásanas, esses oito passos fornecidos por Patanjali são constantemente enfatizados. Por isso, ele enfatiza em seus Sutras que a cada postura, o praticante deve conquistar “conforto e estabilidade”, sempre respeitando seus limites (sugerindo assim, Ahimsa, que é a não violência consigo mesmo, Satya, a Verdade para consigo mesmo, em primeiro lugar, e Santosha, atingir o contentamento, a plenitude).
Lembrando-nos mais uma vez: “Yogash Citta-Vritti-nirodhah”, Yoga é a cessação os turbilhões da mente”.










